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“Minecraft” na sala de aula–moldando ideias no ensino especial

 

Antes de mais, há que precisar o uso das aspas no título. Utilizamos o termo “Minecraft”  como forma de identificação do género, pois videojogo em utilização é o Manic Digger, cuja versão gratuita corre numa aplicação própria e não num browser, o que aumenta o desempenho. Para obter o mesmo resultado no Minecraft seria necessário possuir uma versão paga, o que traria várias outras vantagens, existindo inclusivamente uma versão direcionada à educação.

Quando comecei a utilizar este videojogo na sala de aula, recorri a referenciais esquemáticos  onde as medidas estavam explícitas de forma mais ou menos clara.

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Os problemas colocados aos alunos nas últimas aulas têm partido de referenciais que carecem de maior capacidade de interpretação. Pede-se que o aluno trabalhe a partir de uma ideia, como foi o caso da construção de um igreja e de uma árvore de natal a partir apenas do conceito que os alunos possuíam das mesmas.

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Esta abordagem coloca, assim, um outro tipo de desafio, pois o aluno trabalha sem a existência de um referencial externo concreto, indo cada discente conceber formas muito diferentes, que dependem tanto das suas noções, como da sua capacidade de concretização de ideias no videojogo.

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As interpretações dos alunos variam substancialmente, o que  pode ser utlizado como um instrumento diagnóstico e/ou ferramenta de desenvolvimento cognitivo em educação especial. De resto, o Minecraft já incorpora o currículo em vários países.

 

Minecraft na sala de aula–Ensino especial – últimas construções

 

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Mais corretamente, atualmente estamos a usar o Manic Digger, pois é uma aplicação em que a versão gratuita possui mais funcionalidades. Todas as construções foram elaboradas pelos alunos com base em esquema feitos no quadro por este docente. A supervisão do professor limitou-se à identificação de falhas, que foram corrigidas, ou pelo menos melhorada pelos alunos. Nem todos os alunos conseguiram chegar ao nível de elaboração apresentado aqui, sendo este o trabalho de quatro dos alunos que melhor desempenho conseguiram. Os outros aluno continuam a conseguir construir formas simples, como as que já foram apresentadas neste Blog. Os meus objetivos no momento em que tive a ideia desta atividade, eram que os aluno conseguissem construir com base em projetos mais complexos, algo que se encontra a ser atingido por alguns discentes, faltando ainda o passo final, que seria os alunos elaborarem e executarem um projeto. No entanto, mas, na minha opinião, o que o alunos alcançaram, já foi um passo de gigante.

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Acessibilidade no ensino especial

Em Novembro publiquei um artigo no blog Fell ThinK Grow Inspire sobre a adaptação de um Gamepad ao ensino especial. Estou convicto que em muitos casos se pode fazer muito com pouco, não havendo sempre a necessidade de grandes investimentos, quando se pode recorrer a meios e técnicas, que embora pensadas para outro tipo de situações, podem ser adequados ao ensino. No entanto, pelo menos, no campo das aplicações, já existem aquelas que foram propositadamente concebidas para o ensino especial e não custam nada, como é o caso do NVDA – nonovisual desktop access que possui uma qualidade idêntica outras aplicações que são pagas de forma substancial por escolas e instituições.

 

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“Gamepad como interface de acessibilidade no ensino especial – Blog Feel Think Grow Inspire”

Neste artigo refiro-me à utilização do gamepad como alternativa ao rato, numa situação em que a aluna possui uma condição que lhe dificulta o manuseamento deste último periférico. Todavia, acredito que uma solução touchscreen será preferível nesta situação. E num futuro próximo,  a combinação do Leap com um interface optimizado para touchscreen (como o windows 8) poderá vir a ampliar muito a acessibilidade ao computador.

Recentemente, tendo notado que a aluna “tremia” menos com a mão, quando fazia pequenos movimentos, sugeri que se usasse o rato com a sensibilidade elevada (ao contrário do que normalmente se faz), para que a aluna pudesse controlar aquele interface com movimentos muito subtis da mão, o que, segundo a hipótese colocada, reduziria o “tremer” da mão. Esse método está a ser implementado, com alguns resultados, mas só o tempo dirá se terá sucesso.

Download do artigo

 

Penso que uma filosofia de adequação de hardware e software poderá não só optimizar o uso de tecnologia no ensino, como poderá permitir fazê-lo a um custo baixo, recorrendo a recursos que estão facilmente disponíveis. Destaco o caso do software em que frequentemente se opta pela utilização de aplicações que são pagas, quando existem outras equivalentes que são gratuitas.

Quadrados, retângulos, perímetro e áreas no Minecraft

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As indicações escritas colocadas no quadro (como se pode ver na figura abaixo) eram sobretudo para a equipa de professores se orientar , pois os alunos do Ensino Especial usavam os esquemas como referência. Primeiro tiveram de elaborar com pequenos cubos um quadrado e um retângulo, assinalando qual era qual. Depois, contando novamente os cubos de plástico, mediram os lados das formas geométricas, o que evidenciou  ainda mais a diferença entre o quadrado e o retângulo. Só então, é que reproduziram o raciocínio utilizando o videojogo  Minecraft.

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Após esta primeira fase, o alunos encheram o interior das formas geométricas com cubos e contarem o total de elementos presentes em cada forma, o que lhes permitiu determinar a área. Procedendo de igual maneira no ambiente virtual.

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O perímetro tornou-se mais complexo de determinar, pois contar os cubos por si só induzia no erro de se admitir que o perímetro era 8 para um quadrado de lado 3 e a forma como se estava a enunciar o problema aos aluno ainda estava a criar mais confusão, no entanto, numa aula posterior teve-se algum sucesso com o sistema seguinte em que se contaram duas vezes cada quadrado do cantos.

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No entanto, futuramente, tentar-se-á que os aluno contem os lados do quadrados mais pequenos, o que dará uma conta certa de imediato, no que respeita ao perímetro. Um problema surge, no entanto, no caso apresentado, em que a área e o perímetro são “16”, parecendo, para já, ser difícil a abordagem das unidades nesta modalidade de ensino.

No que respeita à utilização do videojogo, parece-me que a  vantagem é mais do que motivacional, pois este está a ser utilizado como espaço de aplicação e mobilização de competências, no entanto, o seu potencial a longo prazo poderá ser ainda maior, pois o Minecraft permite elaborar estruturas mais complexas do que as conseguidas com cubos de plástico. A ideia será os alunos projetarem de forma precisa construções como aquela que apresento a seguir, que foi elaborada por um aluno, mas de forma livre.

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Não houve, neste último caso, qualquer projeto inicial, pois ocorreu num momento que criei com o objectivo dos alunos darem largas à sua imaginação e que vem a revelar a outra faceta deste videojogo, isto é, além de ser um espaço onde apenas se aplicam projetos, pode ser também um espaço de criatividade.

Minecraft na sala de aula – Matemática

 

O Minecraft possui um vasto potencial ao nível da Matemática no Ensino Especial. De momento, peço ao aluno que construa quadrados e rectângulos em que necessita de contar o número de unidades em cada um dos lados de acordo com um referencial que elaboro previamente.

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O aluno faz primeiro um modelo físico usando cubos e depois passa esse modelo para o ambiente do videojogo Minecraft.

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A ideia no entanto é ir bem mais longe que simples contagens, pois pretendo criar situações de aprendizagem em que o aluno deverá aprender os conceitos de perímetro, área e até volume, associando operações de adição subtração e multiplicação.

A terminologia numérica utilizada atualmente, sempre que apresento um novo rectângulo aos alunos é o ponto de partida para futuras multiplicações, pois contando o número de cubos que formam e preenchem um rectângulo obtemos o produto, criando-se assim uma forma concreta de os alunos virem a executar pequenas multiplicações e determinarem áreas. A longo prazo, existe a possibilidade de o aluno passar para o domínio de uma terceira dimensão e vir a determinar volumes, podendo, nesse caso, recorrer à calculadora, ferramenta que passaria a aprender a dominar melhor.

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Uma vez desenvolvidas as competências básicas ao nível das três dimensões e tendo o aluno alguma percepção das noções de medidas pretende-se passar para uma fase em que o aluno mediante um pequeno guião irá elaborar pequenos projetos, como, por exemplo, a construção de uma casa, na qual se daria uma especial atenção às dimensões das várias divisões, segundo os métodos de medida aprendidos.

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O facto de os cubos utilizados medirem exatamente um centímetro facilita o processo de medida e possibilita mobilização do conceito de medida de uma atividade para outra, por exemplo, enquanto exponha os meus planos ao professor de Educação Especial, este sugeriu que se transpusessem algumas das construções para modelos de madeira ou de algum material moldável. Uma tal transposição será muito facilitado pelo facto de os cubos utilizados nos modelos medirem um centímetro, possibilitando o uso de outros instrumentos de medida, como uma régua, sem ter que fazer conversões, que nesta modalidade de ensino e numa fase inicial da atividade seriam um obstáculo, se bem que poderiam ser uma atividade interessante com alunos mais avançados.

Minecraft na sala de aula

 

Já há algum tempo que pensava em utilizar este videojogo nas aulas de Cidadania do Ensino Especial. Agora, após três aulas, em que recorri ao Minecraft para desenvolver competências ao nível da resolução de problemas individualmente e de forma cooperativa, considero que, neste momento, já é uma aposta ganha.

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A atividade consiste, nesta fase, na elaboração de quadrados com cubos em que o aluno tem que contar o número de elementos utilizados em cada lado com posterior transposição para o ambiente de jogo, onde tem de se basear no modelo que elaborou para construir uma versão digital do mesmo.

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A atividade representa um desafio significativo para os alunos, pois envolve um certo nível de abstração, sendo que no princípio a maioria dos alunos revelavam dificuldade na contagem dos cubos. No entanto, após três aulas, muitos já revelam progresso significativos, estando já a trabalhar em quadrados com lados de maior números de elementos, indo em breve abordar os retângulos.

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O recurso ao videojogo tem sido um agente motivador e tem contribuído para um maior investimento dos alunos na tarefa, que de outra forma teria um carácter mais monótono. Após a realização da atividade, dei um momento de maior liberdade criativa, para que os alunos aplicassem os princípios aprendidos na construção de um casa, dando apenas orientações muito genéricas (a casa tem que ter uma porta e uma janela), deixando o resto ao  critérios deles, para estimular a sua criatividade. No futuro, gostaria que eles  projetassem e executassem uma ideia sozinhos.

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Nos alunos com mais dificuldades, a utilização deste videojogo tem criado desafios de ensino que carecem de uma resposta adequada às características particulares dos alunos, o que tem requerido abordagens diferenciadas , tendo o professor de Educação Especial e outra professora com quem trabalho sido obrigados a ser eles próprios criativos no desenvolvimento de estratégias para esse efeito.

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